Dada à variedade de formas de riqueza, o seminário encontra-se estruturado em seis grandes eixos, coordenados por um par de pesquisadores franco-brasileiros.

Eixo 1: Riqueza Humana e Social
Apesar de alguns avanços sociais verificados nas duas últimas décadas, o Brasil enfrenta grandes desafios relacionados à superação das desigualdades sociais, da pobreza, da segregação socioespacial e da vulnerabilidade de certos grupos sociais. As demandas por justiça social levam inevitavelmente à necessidade de se promover a redistribuição econômica, o compartilhamento da riqueza, a apropriação democrática do espaço e também o reconhecimento social. Este eixo aceitará trabalhos referentes aos temas acima enunciados, bem como trabalhos que reflitam sobre as distintas formas de organização social, sua expressão no território e as resistências às políticas que produzem e/ou conservam as desigualdades sociais.

Eixo 2: Lugares de Enriquecimento Cultural
O eixo que trata de lugares de enriquecimento cultural parte das relações entre cultura e espaço urbano, partindo do reconhecimento da força da cultura e de sua diversidade como forma de apropriação e diálogo com a cidade pelos diferentes grupos sociais. Assim sendo, o conceito de riqueza cultural não pode ser entendido de modo restrito e nem apenas ligado aos insumos econômicos, mas a partir da diversidade de fontes e da necessidade de criação de condições que permitam a manifestação dessas formas plurais de fruir e utilizar a cidade.

Eixo 3: Equipamentos e Economia do Conhecimento
O eixo contempla a riqueza construída com base no conhecimento aplicado às tecnologias de informação e comunicação. Para tal, tratamos o espaço como algo físico e virtual, onde a produção, a distribuição e o consumo ocorrem sob a égide da digitalização. O foco se encontra no papel das universidades, dos centros tecnológicos, dos parques e das incubadoras na geração dessa riqueza.

Eixo 4: Riqueza Social e Econômica e Inovações
O eixo contempla as outras economias, a economia social, solidária e popular e várias de suas manifestações na RMBH e na Região Metropolitana de Lille. O eixo explora os novos conceitos ligados à economia social e solidária, além de diversas experiências, privilegiando a agricultura urbana, a proposta da trama verde e azul (na RMBH e na região de Lille) no planejamento metropolitano e as novas formas de organização social e econômica a elas ligadas.

Eixo 5: Áreas Industriais e de Mineração
O eixo volta-se para o estudo do histórico da atividade mineira, levando em conta as consequências do processo sobre a industrialização, a urbanização e a metropolização, e a formação da rede de transportes (ou logística). A governança e as politicas públicas; os Comitês de Bacias Hidrográficas como instrumentos de gestão ambiental e social; e as tramas verde e azul.

Eixo 6: Riqueza Natural, Diversidade Natural e Diversidade Social
Neste eixo estamos interessados em discutir a relação entre recursos naturais e a diversidade cultural de sua apropriação, ou seja, suas representações, relacionamentos e modos de valorização. Diante da observação do uso fundamental e múltiplo da água, questionamos sua natureza como “riqueza” e sua construção como recurso. Como um bem comum do mundo vivo, nos perguntamos também acerca do seu compartilhamento. Podemos, devemos e como compatibilizar uma diversidade social de expectativas, necessidades e modos de uso vis-à-vis um mesmo recurso, porém imprescindível como a água?